sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Teus mundos...


Te conheci no limiar entre dois mundos. Senti o cheiro arredio da tua pele mestiça e como gata, me enrosquei no teu corpo suave, mas cheio de veneno. Me embebedei do teu gosto e, desnorteada pela tontura, me perdi. Errei teu caminho. Errei você. Tropecei e não te tive. Fiquei entre o querer e o estar e fui enclausurada no primeiro verbo. Ainda assim, sinto falta do teu tempero e preencho as longas horas da tua ausência com desejos inúteis de habitar parcamente os teus mundos...

sábado, 15 de agosto de 2009

Teu dia

Hoje, no teu dia de renascimento, lembro do que você era. Riso frouxo e duro. Tristeza contida em olhos.Toque miúdo e raro, como lua atrás da serra. Cheiro que era misto de violência e de suor branco. Romance mexicano. Não sabia quem você era. Achava que sabia.Também nao sabia quem eu era. Sabia da leveza dos teus poucos toques.Sabia que a tua alma se permitia abrir em flor em dias esparsos de chuva. Sabia que o sol te irritava e que a noite te trazia cansaço, como quem do sol se esconde, mas nele batalha, na sombra. Sabia que sons te traziam o gozo e o silêncio. Sabia que o amor te trazia preguiça e medo. Só sabia.. e nada sabia...

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Poeminha Amoroso


Hoje, 12 de junho, quero simplesmente compartilhar a meiguice de Cora Coralina. Carpe diem!

"Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu…
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu…
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo…
eu te amo, perdoa-me, eu te amo…"

terça-feira, 26 de maio de 2009

Entremeando nós...


Aprendi a não dizer o que mais importa para mim. Vivi assim, num desdizer constante, transformando brincadeira em nó de rede e nó de rede em lugar comum. Talvez por não achar que existem ouvidos atentos e mãos hábeis o suficiente para desatar meus nós. Talvez por preferir viver no castelo de bonecas que nunca me atraiu na infância, mas que virou cabana em dia de chuva quando os 30 anos interromperam a sensação de eternidade que carregava dentro de mim. Não sei. Tudo é talvez, como forma de nunca dizer a verdade. Fujo. Brinco de pique- esconde com os meus sentimentos. Salto. Pulo. Às vezes também solvejo baixinho pra ninguém ouvir. 

É.... descubro agora que as minhas verdades são ventos que sopram bem de  leve pra não deixar lembrança alguma.

sábado, 23 de maio de 2009

Antes do amanhecer...

Você foge da estrada como quem tem medo do infinito que se apresenta depois de uma reta qualquer. Eu me atiro nela, corpo e alma em forma de decalque no asfalto. Você  hoje foi  meu,mas é certo que quase nada sobrará quando a noite se encontrar com a manhã. Você não me promete nada. Você. Só você, que é  puro momento. Já eu não conheço meias palavras. Não conheço meio amor, meia vida, como não conheço meia luz. No breve encontro entre noite e dia, busco estrelas. Quando elas se escondem, brinco com as nuvens. Ainda assim, somos o inverso de nós mesmos. Você é sorriso. Eu finjo que sou. Apesar disso, nos encontramos em um certo telhado, olhares suspensos, cada um com a sua imensidão....

sábado, 2 de maio de 2009

Flores de morte



Hoje caminhei entre mortos.  Descobri que a morte é uma mistura  de laquê, coques, flores taciturnas e sorrisos de paisagem....



quarta-feira, 22 de abril de 2009

Somente hoje


Hoje acordei com uma vontade enorme de compartilhar a vida. Solidão é um bicho com pedigree que mulheres "independentes" gostam de exibir. Eu não. Hoje eu queria mesmo o compartilhar do suor  de uma noite quente. Queria sentir o cheiro do costume dos dias,  mareado entre corpos  e desejos.Queria um compartilhar que não surgisse por um contrato estabelecido antes de nascer, mãe redonda  segurando o ventre com mãos de espanto e surpresa. Hoje, somente hoje, seria bom poder recontar velhas histórias com um sorriso maledicente no canto da boca, como uma  menina molecamente disfarçada de gente...  Somente hoje... Só hoje...